Foto: Ricardo Albertine
Para homenagear Brasília, fiz questão de escolher dois ícones que de alguma forma remetem a crença. Um nasceu praticamente com os pais de todos os viventes transitando pelo jardim do Éden, a serpente. Personificação malígna. Outro surgiu imponente, assinado simplesmente por Oscar Niemeyer. Foi o primeiro filho das maravilhas brasilienses. Olhando por cima, é como se víssemos o encontro de duas mãos espalmadas de maneira que pareça agradecer ao criador. A Catedral, cujos vitrais muitas vezes misturam-se ao nosso olhar com o mar invertido que só a capital possui. O céu que mora entre os graus 15 e 20, antevisto em 1883. Na profecia cujas palavras bíblicas foram pronunciadas por Dom Bosco: “terra que jorra leite e mel, a terra prometida”. “A epopéia da construçao dessa nova capital que acabamos de inaugurar”, disse o então presidente Juscelino Kubistschek.
A cidade que foi rascunhada no amuleto do cristianismo, a cruz, carrega dentro do seu corpo os contrastes existentes em todas as almas. Diante da vida: o bem e o mal. Se mencionarmos a questão da segurança, temos ilhas de tranquilidade encontradas apenas na Europa. É o caso do Lago Norte e Lago Sul. Mas também, temos o Paranoá, região considerada uma das 100 mais violentas do Brasil. Sem querer traçar paralelos opositores, lembro agora que aqui, existe a maior renda percapita do país. Originalmente sem favelas, mas com Regiões Administrativas, sendo algumas, com uma realidade social dramática. Hoje, já existe uma favela oficial. O Sol Nascente, considerada a maior do país. Não existe um sotaque característico ainda, e realmente não queremos que esse fator seja um pretexto do tipo “Torre de Babel”. Apesar das diferenças enriquecerem qualquer sociedade, é preciso falar a mesma língua para o entendimento majoritário e quem sabe alcançar a tão sonhada “ordem e progresso” na nação.
Tudo bem, aniversários são para reflexão, sobretudo de 55 anos. Eu poderia citar outras coisas menos positivas, mas vamos por outro rumo. Sem entrar no mérito, ostentamos o título de capital da educação, das piscinas, do rock, do livro e da leitura. Afinal, são mais de 25 bibliotecas e um acervo com mais de 470 mil títulos. Na cidade existem 73 parques arborizados, sendo o Sarah Kubistschek, (Parque da Cidade) o maior, inclusive do mundo. Não temos esquinas, temos uma arquitetura futurista herança de Lúcio Costa. O maior pomar a céu aberto. É só chegar, escolher e degustar. Estão em todos os lugares, somando mais de um milhão. Aos títulos, somam-se o de patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO em 1987, patrimônio histórico federal em 1990 e pelo Governo de Brasília em 1991. Para meus ouvidos, o hino Brasília Capital da Esperança é um dos mais belos. Aprendi a cantar com minha saudosa tia Ana, mais conhecida como "Moça". Ela tinha um fascínio por cada estrofe entoada e conseguiu transferir a empolgação a mim. Por ironia do destino, completa-se cinco anos que ela nos deixou. Sempre que me levava na Escola Parque, ali na 308, titia se abaixava, me olhava nos olhos e dizia:
... “Surgiu a mais fantástica cidade, Brasília capital da esperança. Desperta o gigante brasileiro, desperta e proclama ao mundo inteiro, num brado de orgulho e confiança: nasceu a linda Brasília a capital da esperança”!
Temos a capacidade de escolhermos nossos caminhos. Alguns deles nos escolhem. Brasília me adotou aos oito meses. Presenciei e vivi tantas coisas aqui. A questão é: escolhi o bem, ser feliz. Mas se não me conhece, não me venha dizer que sou um “playboy ou filhinho de papai”. Orgulhosamente nasci no sertão, em Afogados da Ingazeira. Meu pai veio primeiro. Quando mamãe chegou arrumou um emprego. Sem dinheiro e sem vontade de me deixar com outras pessoas, me levava escondida para o trabalho. Era proibido criança por lá. Então, ela me colocava em uma caixa no sótão e assim foi levando até quando deu.
Já beirei o mundo das coisas ilícitas e decidi estudar e mais tarde trabalhar. Meus pais deram a volta por cima e eu também. Somos simples, mas somos vencedores. Não exerço tudo ou tudo de uma vez, mas sou jornalista, escritor, compositor, cantor, ator e digamos, candango da oitava maravilha. Sou de Brasília. Sempre teremos lutas interiores por ações exteriores e também, a vontade de ter vontade. A fé e o profano virão ao nosso encontro esporadicamente. E o que vamos escolher? Eu escolhi a brasilidade de uma “fantástica cidade” que me faz “feliz como um sorriso de criança”. É preciso acreditar. Parabéns Brasília!!!
A cidade que foi rascunhada no amuleto do cristianismo, a cruz, carrega dentro do seu corpo os contrastes existentes em todas as almas. Diante da vida: o bem e o mal. Se mencionarmos a questão da segurança, temos ilhas de tranquilidade encontradas apenas na Europa. É o caso do Lago Norte e Lago Sul. Mas também, temos o Paranoá, região considerada uma das 100 mais violentas do Brasil. Sem querer traçar paralelos opositores, lembro agora que aqui, existe a maior renda percapita do país. Originalmente sem favelas, mas com Regiões Administrativas, sendo algumas, com uma realidade social dramática. Hoje, já existe uma favela oficial. O Sol Nascente, considerada a maior do país. Não existe um sotaque característico ainda, e realmente não queremos que esse fator seja um pretexto do tipo “Torre de Babel”. Apesar das diferenças enriquecerem qualquer sociedade, é preciso falar a mesma língua para o entendimento majoritário e quem sabe alcançar a tão sonhada “ordem e progresso” na nação.
Tudo bem, aniversários são para reflexão, sobretudo de 55 anos. Eu poderia citar outras coisas menos positivas, mas vamos por outro rumo. Sem entrar no mérito, ostentamos o título de capital da educação, das piscinas, do rock, do livro e da leitura. Afinal, são mais de 25 bibliotecas e um acervo com mais de 470 mil títulos. Na cidade existem 73 parques arborizados, sendo o Sarah Kubistschek, (Parque da Cidade) o maior, inclusive do mundo. Não temos esquinas, temos uma arquitetura futurista herança de Lúcio Costa. O maior pomar a céu aberto. É só chegar, escolher e degustar. Estão em todos os lugares, somando mais de um milhão. Aos títulos, somam-se o de patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO em 1987, patrimônio histórico federal em 1990 e pelo Governo de Brasília em 1991. Para meus ouvidos, o hino Brasília Capital da Esperança é um dos mais belos. Aprendi a cantar com minha saudosa tia Ana, mais conhecida como "Moça". Ela tinha um fascínio por cada estrofe entoada e conseguiu transferir a empolgação a mim. Por ironia do destino, completa-se cinco anos que ela nos deixou. Sempre que me levava na Escola Parque, ali na 308, titia se abaixava, me olhava nos olhos e dizia:
... “Surgiu a mais fantástica cidade, Brasília capital da esperança. Desperta o gigante brasileiro, desperta e proclama ao mundo inteiro, num brado de orgulho e confiança: nasceu a linda Brasília a capital da esperança”!
Temos a capacidade de escolhermos nossos caminhos. Alguns deles nos escolhem. Brasília me adotou aos oito meses. Presenciei e vivi tantas coisas aqui. A questão é: escolhi o bem, ser feliz. Mas se não me conhece, não me venha dizer que sou um “playboy ou filhinho de papai”. Orgulhosamente nasci no sertão, em Afogados da Ingazeira. Meu pai veio primeiro. Quando mamãe chegou arrumou um emprego. Sem dinheiro e sem vontade de me deixar com outras pessoas, me levava escondida para o trabalho. Era proibido criança por lá. Então, ela me colocava em uma caixa no sótão e assim foi levando até quando deu.
Já beirei o mundo das coisas ilícitas e decidi estudar e mais tarde trabalhar. Meus pais deram a volta por cima e eu também. Somos simples, mas somos vencedores. Não exerço tudo ou tudo de uma vez, mas sou jornalista, escritor, compositor, cantor, ator e digamos, candango da oitava maravilha. Sou de Brasília. Sempre teremos lutas interiores por ações exteriores e também, a vontade de ter vontade. A fé e o profano virão ao nosso encontro esporadicamente. E o que vamos escolher? Eu escolhi a brasilidade de uma “fantástica cidade” que me faz “feliz como um sorriso de criança”. É preciso acreditar. Parabéns Brasília!!!

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